Archive for the 'Playground' Category

‘No Promises’: Começar 2007 em Beleza

Janeiro 10, 2007

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play_3475.gif Carla Bruni – “If You’re Coming In The Fall” videoclip1.gif

Se o link não funcionar podem ver AQUI

(…)

Para começar em beleza, o novo ano traz de volta Carla Bruni, a cantautora que há 4 anos surpreendeu tudo e todos com Quelqu´un m´a Dit. Tenho andado a escutar No Promises com atenção e em crescente devoção, confesso. A somar à música, a delicadeza estética do projecto gráfico do álbum: muito, muito bonito.

Sob o efeito do entusiasmo que me invade ainda, recomendo vivamente o trabalho de composição de Carla Bruni sobre poemas de autores como o poeta irlandês William Butler Yeats, o inglês Wystan Hugh Auden, Christina Rossetti (grande senhora da poesia britânica do séc. XIX), Walter de la Mare, Emily Dickinson e Dorothy Parker, referências de eleição da literatura norte americana.

Há um player online, no MySpace da cantora, onde se podem ouvir todas as faixas de No Promises  AQUI.

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Script #37 | O Toque

Janeiro 10, 2007

Ás vezes basta um instante, basta um enlace pela cintura, um arrepio corrido à pele, um brilhozinho nos olhos, um sono mais feliz, um céu mais azul, um coração a bater mais descompassado, um pouco que é muito, um nada que é tudo. Ás vezes basta um detalhe, uma diferença ínfima, uma súbtil alteração na normal percepção das coisas percebidas de sempre. Ás vezes basta ser uma vez, basta uma vez mais á frente no tempo, num tempo outro, distinto do mesmo, distinto do que foi sem nunca ter sequer chegado a ter sido. E, por cima da inusitada surpresa, sobrevém tão só a inquestionável evidência das coisas claras e simples. Claras porque simples ou simples porque claras, eu não sei. Mas sabe-o o Fado, que é o que importa. Sabe-o antes e primeiro que todos. Como sabe sempre todas as coisas que há para saber. Como se nunca ninguém lhe pudesse contar nada que já não saiba, – a ele, ao Fado – sabedor que é de todos os segredos e sentires que podem em vida passar pela cabeça dos corações mais excêntricos e improváveis.
play_3475.gif  Camané – “Ela tinha uma amiga”  nota_animada25.gif

Mulher | «About a Girl»: Cibelle

Dezembro 29, 2006

 
Foto: Cibelle

A última vez que estivemos juntas foi em Abril. Chovia torrencialmente em Lisboa e passámos grande parte da manhã a beber chá, perto do Marquês de Pombal, a admirar o tríptico de gravuras japonesas suspenso na parede, aproveitando para pôr em dia as novidades de Londres e a espiar a rua pelo  foyer envidraçado, à espera de uma aberta no dilúvio que nos permitisse cumprir o projecto de fazer uma incursão pelas lojas de vintage do Bairro Alto. Dois dias depois viajámos para o Porto. Ela subiu ao palco da Casa da Música e eu escutei-a entre os lambrins do backstage e a primeira fila da plateia.

O meu jornal e algumas estações de rádio da Invicta foram os únicos a assinalar-lhe a presença entre nós. No mais, a sua passagem por Portugal passou quase despercebida. Sempre aquela avaliação cretina e precipitada que vem sendo usual nos media de cá: “mais uma brasileira, e daí?!”. Foram tolos, foram tontos: falharam a qualidade de excelência do trabalho singular que ela vem desenvolvendo na Europa. Só depois do espectáculo se deram conta. Porque foi irrepreensível e resolveram ir indagar quem era afinal aquela lolita, entre o avant-gard e o retro, que parecia saída de um filme dos anos 50, lábios carmim, pele alva, cabelo à garçon e poses encenadas na mais anacrónica coquetterie, inspirada nas caprichosas divas de Hollywood e nas demoisélles mignons dos cafés parisienses do começo do século. Foram tarde: ela partia em voo próximo, embarcava no dia seguinte, em Pedras Rubras, com a sua gabardine de Ingrid Bergman e as suas valises tigresse e crocco.  

Conversámos há dias por telefone, e entre os votos Feliz Natal lá me deu as novidades. No começo de Fevereiro canta no ilustre Carnegie Hall, em Nova Iorque, e lá mais para o meio do mês regressa a Portugal para dois concertos.

Chama-se Cibelle e é bom que, desta vez, os interessados estejam atentos. Para não falharem a oportunidade de a ver de perto e a ouvir ao vivo. Como em Abril.

Para ouvir AQUI

Mood | Daqui a pouco há-de ser Domingo!

Dezembro 10, 2006

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Foto: Ana Arpa

  Bastam-me as cinco pontas de uma estrela
E a cor dum navio em movimento
E como ave, ficar parada a vê-la
E como flor, qualquer odor no vento.

Basta-me a lua ter aqui deixado
Um luminoso fio de cabelo
Para levar o céu todo enrolado
Na discreta ambição do meu novelo.

Deixem ao dia a cama de um domingo
Para deitar um lírio que lhe sobre.
E a tarde cor-de-rosa de um flamingo
Seja o tecto da casa que me cobre

Baste o que o tempo traz na sua anilha
E que o mar dê o fruto duma ilha
Onde o amor por fim tenha recreio.

Natália Correia“Poema Destinado a Haver Domingo” in Passaporte (1958)

Acordo a ouvir esta música. Está por todos os lados, esta música, por todos os cantos e pisos da casa. Reproduz-se sozinha, sem precisar de tecla ou aparelho. Toca e toca e volta a tocar. No ar.  Como se fosse o som que o ar tem. Não é fantástico?!… Ás vezes acho que é por causa destes sortilégios que me acontecem na vida, que me ocorre mover como se ela fosse mágica. Toda mágica. Só mágica. Pura mágica. Pura e mágica. A tocar assim: como esta música que é como o som do ar, que está por todos os lados, a reproduzir-se sozinha por todos os cantos e pisos da casa, e que eu ainda não parei de ouvir desde que acordei.

Air“Playground Love”
Para escutar AQUI  ou AQUI

Café da manhã e umas voltas na Roda Gigante

Dezembro 4, 2006

cafedamanha04dez2006.jpgÉ sempre assim, nos períodos de grande turbilhão criativo: uma energia que acorda redobrada, imune às noites de sono curto. Ainda não são 10h da manhã e já mil coisas aconteceram, já mil coisas se fizeram, mil coisas se pensaram e ocorreram. Amo por demais este fulgor subterrâneo ao quotidiano, esta coisa de acordar e sentir o mundo como uma roda gigante que já se pôs em movimento.  E é por isso que não me toca a dormência do dia cinzento, nem posso perder tempo com as pemumbras insinuadas de Dezembro. É por isso que começo o dia já pedindo desculpa por me serem tão indiferentes o tédio e a branda passividade desses nadas que acontecem só porque se deixa, só porque se permite que alastrem como um caldo morno e insípido, um aconchego neutro em estômago vazio, um suave remédio preguiçoso da cura.

É boa, esta coisa de estar entre os primeiros a chegar! É boa, esta coisa de chegar a rir. É boa, esta coisa da alegria!

E á pergunta de sempre, á interjeicção do costume – “Bom dia, como estás?” – eu só posso responder: Estou ASSIM!

E, para começar, creio que  fica quase tudo dito.

Sábios Bichanos vs. Humanos Incompreensíveis

Dezembro 2, 2006

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Outra vez, os gatos!…
Esta manhã: Merlin e Morgana, aproveitando juntos os poucos raios de sol deste sábado cinzento, felizes por terem um quarto com vista, dentro da mesma casa.
Fico a olhar os bichanos. Provavelmente absurdo, este trivial prazer. Humanamente incompreensível – para alguns – o amor entre animais. Provavelmente, mais absurdo ainda, para eles – Merlin e Morgana – se lhes contasse… se lhes falasse dos nossos humanos incompreensíveis. Mas não falo. Para quê estalar-lhes a felicidade com falsos problemas metafísicos?!

Chico Buarque e Elza Soares“Façamos”
Para ver e escutar AQUI

Vestido de chita

Dezembro 1, 2006

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Descobri que desobrigada do compromisso nenhum manto de sargaço me cai a direito sobre o ombro.

play_3475.gif Amparanoia – “La Vida Te Danota_animada25.gif

O fado dela

Novembro 23, 2006

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Foto: Reinaldo Rodrigues

Aldina Duarte“Sonho Lento”
Para escutar AQUI

Teimas em forçar a intromissão e vens, inconsciente, lembrar-me um colo emprestado que só me magoou os ossos, sem que eu perceba como é possível tu achares que possa achar bela a memória de mais uma noite arruinada. Mas tu segues teimando, que teimar é o dom maior de que te orgulhas, e vens evocar-me uma noite que, para teu bem, melhor fora me deixasses esquecer.  Traço o xaile e desço o que resta à rua. Já nem te contrario o devaneio de te ver assim, a insistir em te fazeres presente nos lugares onde já não estás. Deixo-te, pois, como gostas e preferes:… a errar com toda a alma / a fingir que a dor se calma / cada dia mais sozinha… enquanto eu sigo descendo a rua aconchegada no meu xaile bem traçado.

O fado em mim

Novembro 23, 2006

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Foto: Reinaldo Rodrigues

Aldina Duarte“Canção a Meia Voz”
Para escutar AQUI

Solene, esse pico em que a palavra atravessa o acorde assim: rente ao nervo. Acordado o nervo. Serenado o nervo. Brando e manso. Como a espuma. Como o indelével fio de nylon que guia cada coisa ao seu sentido.

‘Rasguei os ossos da mão / sequei a cara nas mangas’

Novembro 17, 2006

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Foto: Aldina Duarte por Isabel Pinto

Absolutamente belo.
Para escutar AQUI

Essa mulher sabe o que fazer de uma loira!

Novembro 14, 2006


White Stripes“I Just Don’t Know What To Do With My Self”

A actriz é Kate Moss, a realização é de Sofia Coppola. O resultado? O resultado é o que se vê: irresistívelmente belo!… Como sempre acontece quando uma mulher sabe cercar outra por todos os ângulos, sem deixar fuga. Enquanto a olha.

Paciência?… A vida é tão rara, tão rara!

Novembro 11, 2006

Directamente do Parque de Ibirapuera:


Lenine e Vanessa da Mata“Paciência”
(Show no Parque do Ibirapuera, manhã de 3 de Setembro deste ano, sob um sol esplendoroso: simplesmente inesquecível!)

…  ou em versão acústica MTV , para que a letra da canção – linda!, linda! linda!… exacta! –  se torne mais perceptível:


Lenine“Paciência”
( Show Acústico MTV, gravado nos dias 23, 24 e 25 de Junho no Auditório Ibirapuera, em São Paulo, para encerrar a digressão InCité)

Momento IV | Bonus extra

Novembro 7, 2006

… Reprise dedicado a ti,  que te ausentaste justamente  na hora H e não estavas aqui no momento certo! 

Chico Buarque“Ela é dançarina”
(Show Carioca – 2006)

aspas_azuis214.jpg  O nosso amor é tão bom
O horário é que nunca combina
Eu sou funcionário
Ela é dançarina
Quando pego o ponto
Ela termina

Ou: quando abro o guichê
É quando ela abaixa a cortina
Eu sou funcionário
Ela é dançarina

No álbum Uma Palavra, em 1981, lê-se assim: «Eu quero dormir e ela precisa dançar». Invertendo os papéis: você é funcionário e eu sou dançarina. E fica perfeito o retrato: igual, eu diria!… Papel químico: decalque fiel. Eis o porquê! Aqui, o diagnóstico! Não deverias, pois, Querida, ter escolhido justamente aquele instante para te ausentares, mesmo que por breves minutos. A pontaria foi-te fatal porque perdeste precisamente o momento da revelação da fórmula mágica para solucionar a “coisa”. Por sorte sobrei eu e como estava atenta posso contar-te. Segundo ele, segundo o poeta, segundo o cantor, ainda que seja assim, esse eterno e permanente desencontro “descasado” –  e a fazer fé na intuição e na ciência do artista –  nem tudo está perdido, Querida!… Anima-te, vá lá. Se tudo correr bem:   «No ano dois mil e um / se juntares algum / pedes uma licença / E a dançarina, enfim / Já te jurou / que faz o show / só pra ti!…»

Momento III | Acerca de brinquedos, quintais, fatalidades e noites que não têm mais fim

Novembro 7, 2006

de ontem…

… até hoje

Chico Buarque“João e Maria” (letra de 1977 sobre música composta por Sivuca em 1947)

Momento II | Breve teoria explicativa do Genesis

Novembro 7, 2006

imagina.jpg

aspas_azuis214.jpg  Sabe que o menino que passar debaixo do arco-íris vira moça, vira
A menina que cruzar de volta o arco-íris rapidinho volta a ser rapaz
A menina que passou no arco era
O menino que passou no arco
E vai virar menina
Imagina
Imagina

“Imagina”Tom Jobim e Chico Buarque (1983)

Show Carioca – 2006, versão cantada ao vivo com Bia Paes Leme.
Para ver e escutar: AQUI