Archive for the 'Issues' Category

Citando de cor | Aos que não se escondem

Dezembro 30, 2006

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Po karalho mais os sms e os mms e os msn[arroba]dasssssssseeeee
por Mega 

Po caralho mais as novas tecnologias, paaahhh! E mais esses cabrões que se escondem atrás dessas merdas de mensagens de telemóveis e messengers porque não têm tomates para dizer as merdas nos olhos, fodam-se. Já nem escrever sabem. «É a mesma coisa e não sei quê!». O caralho! E o cheiro? E o toque? E a frontalidade? E os gestos? E as pessoas, seus merdosos? Qualquer dia andam a fazer filhos pelo messenger e a chamá-los Rita(smile)@hotmail.com e o caralho. Mas cuidado com os abortos espontâneos, caralho, não vá o sinal enfraquecer e lá se fode a ligação. Cabrões do Caralho! E já agora ponham o Hi5 também no cu, seus paneleiros de merda!

in Blog po-caralho-pah

Conheço Mega na vida. Descobri-o quase por acaso no cyberespaço, num imediato reconhecimento da habilidade da escrita e da pena exímia e certeira que é a sua.  Segui lendo o seu blog (até que enfim! benvindo! bem haja!…) e reconheci, a um tempo, o discurso e a postura, em suma, o esquisso e a traça do caracter de um ser humano inequivocamente ímpar, que me mora no coração há alguns anos e que guardo como umtalismã da vida e dos encontros que ela prepara.
Leio o que Mega escreve comum orgulho difícil de expressar. Percorro-lhe raivas e revoltas e sei, a cada entre-linha, porque fio de prumo se guia e norteia o afecto que lhe tenho. Aprecio-lhe, sempre lhe apreciei, a capacidade de se indignar e a coragem de se insurgir incondicionalmente. Sempre me curvei em vénia diante da sua espinha dorsal tão vertical e das suas vísceras tão susceptíveis. Não é condescendente, não faz concessões, não sabe – e nem quer saber – o que é “ser politicamente correcto“. É franco e transparente e basta-lhe. Comove-se e emociona-se e chega. Sente e isso é já muito (tanto!). Não se desculpa, não se desfaz em remedeios, não dá o dito-pelo-não-dito, não tapa o sol com a peneira, não mete-os-dedos-pelos-olhos-dentro a ninguém. Não tem duas vidas, duas caras, duas palavras,dois corações. Não tem dois pesos e duas medidas, não pede o que não pede, antes de mais, a si próprio, não exige o que não é capaz de dar, não age nem reage por interesses, nem tem por hábito deitar prévias contas à vida, nem tem por costume colocar nos pratos da balança o compto de perdas e ganhos, nem se move em função das conveniências. Não engole sapos: cospe sapos. Alto e para bem longe, sem nenhum receio que lhe caiam em cima, nem se preocupar tão pouco onde possam vir a cair.  

Assim é Mega: como o post que acabo de evocar permite intuir… e  este e este e este e mais este e ainda este e, para acabar, este.

(…)

E – não necessariamente a propósito do final do ano prestes a cumprir-se e da proliferação de metáforas e outras simbologias, de que andam cheios os nossos ouvidos e o património da História Universal -, deixo um texto curioso desse outro ‘mestre grande’ da palavra, Millôr Fernandes.

Que cada um lhe dê a serventia que entender ou desentender: na vida ou na morte, para fechar 2006 ou para entrar em 2007, eu sei lá!…  Deixo-o, em todo o caso, aqui, assente que está o primado que confere a cada leitor a liberdade de fazer do que por cá encontra o que mais lhe agradar. 

O ‘Foda-se’
por Millôr Fernandes

Existe algo mais libertário do que o conceito do foda-se!? O foda-se! aumenta minha auto-estima, me torna uma pessoa melhor.

Reorganiza as coisas. Me liberta. Não quer sair comigo? Então foda-se!.

Vai querer decidir essa merda sozinho (a) mesmo? Então foda-se!.

O direito ao foda-se! deveria estar assegurado na Constituição Federal.

Os palavrões não nasceram por acaso. São recursos extremamente válidos e criativos para prover nosso vocabulário de expressões que traduzem com a maior fidelidade nossos mais fortes e genuínos sentimentos. É o povo fazendo sua língua. Como o Latim Vulgar, será esse Português Vulgar que vingará plenamente um dia.

Prá caralho, por exemplo. Qual expressão traduz melhor a idéia de muita quantidade do que Prá caralho? Prá caralho tende ao infinito, é quase uma expressão matemática.

A Via-Láctea tem estrelas prá caralho, o Sol é quente prá caralho, o universo é antigo prá caralho, eu gosto de cerveja prá caralho, entende?

No gênero do Prá caralho, mas, no caso, expressando a mais absoluta negação, está o famoso Nem fodendo!.

O Nem fodendo é irretorquível, e liquida o assunto. Te libera, com a consciência tranqüila, para outras atividades de maior interesse em sua vida.

Há outros palavrões igualmente clássicos. Pense na sonoridade de um Puta-que-pariu!, ou seu correlato Puta-que-o-pariu!, falados assim, cadenciadamente, sílaba por sílaba… Diante de uma notícia irritante qualquer puta-que-o-pariu! dito assim te coloca outra vez em seu eixo. Seus neurônios têm o devido tempo e clima para se reorganizar e sacar a atitude que lhe permitirá dar um merecido troco ou o safar de maiores dores de cabeça.

E o que dizer de nosso famoso vai tomar no cu!? E sua maravilhosa e reforçadora derivação vai tomar no olho do seu cu!. Você já imaginou o bem que alguém faz a si próprio e aos seus quando, passado o limite do suportável, se dirige ao canalha de seu interlocutor e solta: Chega! Vai tomar no olho do seu cu!. Pronto, você retomou as rédeas de sua vida, sua auto-estima. Desabotoa a camisa e sai a rua, vento batendo na face, olhar firme, cabeça erguida, um delicioso sorriso de vitória e renovado amor-íntimo nos lábios.

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Mulher | A coisa mais impressionante que alguém jamais me disse

Dezembro 29, 2006


Foto: Matsuo – Ela, a minha Gueisha

Ontem fui jantar a casa dos pais. Devia estar bem disposta porque falei ainda mais do que o costume. E ninguém saía da mesa, e eram muitas as gargalhadas e as caras divertidas. Estavamos nisto há muito, muito tempo (nem sei quanto!…), quando me lembrei da tia-avó de 91 anos que a mãe foi buscar a casa e tem tido com ela, nestes últimos dias. Interrompi-me de repente e caí em mim. Ocorreu-me que não devia estar a perceber nada, pedi-lhe desculpa por tantas frases atropeladas em pressa e riso, tanto barulho, tanto disparate e prometi-lhe que me ia calar imediatamente. Foi também só nessa altura que me dei conta que me seguia atenta com o olhar e que também ela ria e ria e ria, um riso estranho, que saía assim desbargado mas sem fazer nenhum ruído. Ria mesmo muito porque quando olhei para ela vi que ia limpando discretamente as lágrimas do riso com a ponta do lenço de linho, que sempre traz entalado na manga, rente ao pulso. «Continue, continue, filha! Estou a gostar de ouvir», disse. E no frenesim incontrolável das gargalhadas em que me encontrava, aquilo deve ter sido, de facto, o bastante para me encorajar a retomar o tropel.
Sim, devo ter continuado, porque mais à frente voltei a cair em mim e a deter-me. Voltei a pedir-lhe desculpa pelo barulho e por tanto disparate. E eis que ela me diz:

«Continue, filha! Continue que eu estou a gostar muito. É a primeira vez que me rio assim. Sabe?! Eu nunca me ri. Nem me lembro de me ter rido. Desde que fiz 23 anos, então, tenho a certeza: nunca me ri. É a primeira vez.»

A tia-avó casou aos 23 anos e esteve casada 68. Ontem, enquanto se ria, tinha já 91 anos.

(…)

É verdade eu ando contente e animada. É verdade que, geralmente, mesmo dentro das maiores tormentas e tempestades, me sucede esta coisa esquisita de genuinamente me saber de bem com a vida. E também é verdade, sim, que ando particularmente alegre e bem disposta. Mas, muito francamente, ontem, já tarde na noite, quando saí de casa dos pais, tive a clara certeza de que, se não andasse, ficava!… Há lá alguma coisa que possa ter a pretensão de ser suficientemente forte e importante para ensombrar a felicidade de ouvir alguém dizer-nos que tivemos a capacidade de a fazer rir, pela primeira vez, em 68 anos?? 

Subitamente, sou eu quem tem vontade de lhe saltar ao pescoço e lhe dizer que se tornou ainda mais minha tia-avó do que nunca, que me ganhou todos os afectos e mais algum, que me conquistou em absoluto o coração, pela forma franca e pura com que se rendeu ao meu efeito: sem defesas, sem pudores, sem receios, nem máscaras.
Não fosse já tão tarde, nem esta sensação me ter ocorrido durante o caminho, e teria invertido a marcha e voltado atrás, só para lhe dizer que também ela foi a primeira pessoa a ser capaz de me devolver na íntegra algo de que também já não me lembrava: aquele sentimento ímpar e indescritível de me sentir e saber (sim!) a menina mais feliz e especial do mundo. 

(…)

Nunca (agora digo eu!) ninguém me disse nada que me tivesse perturbado tão profundamente! Foi, sem sombra de dúvida, a coisa mais impressionante que jamais alguém me disse e é só por isso que, ainda que possa parecer descabido, não consigo evitar de mencionar o “episódio“.

Mulher | «About a Girl»: Cibelle

Dezembro 29, 2006

 
Foto: Cibelle

A última vez que estivemos juntas foi em Abril. Chovia torrencialmente em Lisboa e passámos grande parte da manhã a beber chá, perto do Marquês de Pombal, a admirar o tríptico de gravuras japonesas suspenso na parede, aproveitando para pôr em dia as novidades de Londres e a espiar a rua pelo  foyer envidraçado, à espera de uma aberta no dilúvio que nos permitisse cumprir o projecto de fazer uma incursão pelas lojas de vintage do Bairro Alto. Dois dias depois viajámos para o Porto. Ela subiu ao palco da Casa da Música e eu escutei-a entre os lambrins do backstage e a primeira fila da plateia.

O meu jornal e algumas estações de rádio da Invicta foram os únicos a assinalar-lhe a presença entre nós. No mais, a sua passagem por Portugal passou quase despercebida. Sempre aquela avaliação cretina e precipitada que vem sendo usual nos media de cá: “mais uma brasileira, e daí?!”. Foram tolos, foram tontos: falharam a qualidade de excelência do trabalho singular que ela vem desenvolvendo na Europa. Só depois do espectáculo se deram conta. Porque foi irrepreensível e resolveram ir indagar quem era afinal aquela lolita, entre o avant-gard e o retro, que parecia saída de um filme dos anos 50, lábios carmim, pele alva, cabelo à garçon e poses encenadas na mais anacrónica coquetterie, inspirada nas caprichosas divas de Hollywood e nas demoisélles mignons dos cafés parisienses do começo do século. Foram tarde: ela partia em voo próximo, embarcava no dia seguinte, em Pedras Rubras, com a sua gabardine de Ingrid Bergman e as suas valises tigresse e crocco.  

Conversámos há dias por telefone, e entre os votos Feliz Natal lá me deu as novidades. No começo de Fevereiro canta no ilustre Carnegie Hall, em Nova Iorque, e lá mais para o meio do mês regressa a Portugal para dois concertos.

Chama-se Cibelle e é bom que, desta vez, os interessados estejam atentos. Para não falharem a oportunidade de a ver de perto e a ouvir ao vivo. Como em Abril.

Para ouvir AQUI

Ambiente | Contra o ‘Aquecimento Global’

Dezembro 29, 2006

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Clique na imagem acima para ver o vídeo e assine o manifesto para ajudar a salvar o Papai Noel do aquecimento global.

Com a devida vénia à Denise.

Clipping | O estado do mundo

Dezembro 28, 2006

Nas últimas 24h, chama-me a atenção:

E também:

Leio ainda:

Lugares | 69 horas em Roma

Dezembro 19, 2006


Foto: M.C. – Coliseu de Roma (Dezembro de 2006)

Lugares | Colors of India

Dezembro 16, 2006

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Foto: V. G. – 12 de Dezembro de 2006

Mood | Daqui a pouco há-de ser Domingo!

Dezembro 10, 2006

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Foto: Ana Arpa

  Bastam-me as cinco pontas de uma estrela
E a cor dum navio em movimento
E como ave, ficar parada a vê-la
E como flor, qualquer odor no vento.

Basta-me a lua ter aqui deixado
Um luminoso fio de cabelo
Para levar o céu todo enrolado
Na discreta ambição do meu novelo.

Deixem ao dia a cama de um domingo
Para deitar um lírio que lhe sobre.
E a tarde cor-de-rosa de um flamingo
Seja o tecto da casa que me cobre

Baste o que o tempo traz na sua anilha
E que o mar dê o fruto duma ilha
Onde o amor por fim tenha recreio.

Natália Correia“Poema Destinado a Haver Domingo” in Passaporte (1958)

Acordo a ouvir esta música. Está por todos os lados, esta música, por todos os cantos e pisos da casa. Reproduz-se sozinha, sem precisar de tecla ou aparelho. Toca e toca e volta a tocar. No ar.  Como se fosse o som que o ar tem. Não é fantástico?!… Ás vezes acho que é por causa destes sortilégios que me acontecem na vida, que me ocorre mover como se ela fosse mágica. Toda mágica. Só mágica. Pura mágica. Pura e mágica. A tocar assim: como esta música que é como o som do ar, que está por todos os lados, a reproduzir-se sozinha por todos os cantos e pisos da casa, e que eu ainda não parei de ouvir desde que acordei.

Air“Playground Love”
Para escutar AQUI  ou AQUI

Lugares | Nova Iorque:…«Onde é que gostavas de estar agora?»

Dezembro 5, 2006

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Perguntas, nem sei para quê. Mas perguntas. Porque às vezes a saudade precisa de artimanhas para matar o vício de companhia, que às vezes o medo precisa do indelével contorno da presença omissa para se suprir à torturante dúvida dos abandonos consumados. Nem que seja por breves instantes. Nem que seja só num fio da mesma voz, a passar inconsequente por entre a chuva, rés-vés com a hora do almoço. E eu respondo-te, porque afinal não me custa nada fazer-te a vontade.  Se queres saber, queria estar sentada num banco de madeira, com alguém a calçar-me uns patins e a ensinar-me a patinar. De gorro e luvas, sem me importar com a neve. Num parque, apesar do Inverno. À beira do movimento, apesar do frio. Capaz de encontrar prazer no gelo. De patins calçados, eu: calçada com os patins que alguém calçou. A patinar. A patinar… a patinar!… num chão de água lisa, apesar de tudo.

‘Até amanhã!’

Dezembro 4, 2006

gmail.jpgHoje, por todo o dia falei no gmail. Ou não falei no gmail. Seja como for, estive sempre no gmail.  Lá mais para o fim da tarde, quando estava prestes a desligá-lo, ocorreu-me o poema de Pessoa. E a seguir saí, que eu sei que depois das 19h ainda há tempo, ainda sobra muito tempo. Eu sei, sim. Depois do poente ainda há muita vida. Há (finalmente) a vida porque estive à espera todo o santo dia! 

(…)

aspas_azuis2.jpg  Depois de amanhã, sim, só depois de amanhã…
Levarei amanhã a pensar em depois de amanhã,
E assim será possível; mas hoje não…
Não, hoje nada; hoje não posso.
A persistência confusa da minha subjetividade objectiva,
O sono da minha vida real, intercalado,
O cansaço antecipado e infinito,
Um cansaço de mundos para apanhar um elétrico…
Esta espécie de alma…
Só depois de amanhã…
Hoje quero preparar-me,
Quero preparar-me para pensar amanhã no dia seguinte…
Ele é que é decisivo.
Tenho já o plano traçado; mas não, hoje não traço planos…
Amanhã é o dia dos planos.
Amanhã sentar-me-ei à secretária para conquistar o mundo;
Mas só conquistarei o mundo depois de amanhã…
Tenho vontade de chorar,
Tenho vontade de chorar muito de repente, de dentro…

Não, não queiram saber mais nada, é segredo, não digo.
Só depois de amanhã…
Quando era criança o circo de domingo divertia-me toda a semana.
Hoje só me diverte o circo de domingo de toda a semana da minha infância…
Depois de amanhã serei outro,
A minha vida triunfar-se-á,
Todas as minhas qualidades reais de inteligente, lido e práctico
Serão convocadas por um edital…
Mas por um edital de amanhã…
Hoje quero dormir, redigirei amanhã…
Por hoje, qual é o espectáculo que me repetiria a infância?
Mesmo para eu comprar os bilhetes amanhã,
Que depois de amanhã é que está bem o espectáculo…
Antes, não…
Depois de amanhã terei a pose pública que amanhã estudarei.
Depois de amanhã serei finalmente o que hoje não posso nunca ser.
Só depois de amanhã…
Tenho sono como o frio de um cão vadio.
Tenho muito sono.
Amanhã te direi as palavras, ou depois de amanhã…
Sim, talvez só depois de amanhã…

O porvir…
Sim, o porvir…

Álvaro de Campos – “Adiamento”

Fora de Casa | Parece que, esta noite, há festa na aldeia!

Dezembro 2, 2006

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Esse convite está chovendo na minha mailbox. Não sei se vai ser possível, mas obrigada a todos os que tiveram a gentileza de o enviar!
Confesso que não conhecendo ninguém fico meio sem graça de aparecer, mas resolvi colocar aqui no blog para divulgar a iniciativa, ok?!

Desejo uma muito excelente festa a quem passar por lá!

Lugares | Azóia: … e um gato no meu colo

Dezembro 1, 2006

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Foto: D. Machado – Serra da Azóia

Um gato manso aninhado no meu colo, o cheiro da lenha a queimar, as revistas do fim-de-semana espalhadas sobre a mesa, este botão da camisa que teima em se desabotoar, um gato no meu colo, os candeeiros coloridos do Norte de África a suspender os Jardins da Babilónia aqui, as vigas de carvalho e as trepadeiras verdes encaracoladas nas traves, um gato no meu colo, as almofadas do canapé com perfume de fumo, o nevoeiro, lá em baixo, a abocanhar as escarpas da falésia, os chuviscos a riscar os vidros, a lama a empapar lá fora, o aroma da terra a acirrar-se lá fora, um gato no meu colo, a madeira a crepitar no fogo, os dois blusões de cabedal atirados para o canto, o odor do mar a salgar a limonada, o pior chili do mundo que pode muito bem ser o melhor chili do momento, um gato no meu colo, a vontade envergonhada de uma casa na serra, mesmo que nunca voltemos a atrever-nos a chamá-la “nossa”, tu sem fome, eu com menos vontade, tu a quereres sorrir e a não seres capaz, eu a sorrir e a não ser capaz,  e um gato no meu colo, e o cheiro a lenha, e o mar a rugir, e o recorte abrupto da costa agreste, e esse perdão que há no beijo, por já nada ser perfeito e fazer já tão pouco mal que o não seja.

Lugares | Sesimbra: … apesar da tempestade

Novembro 24, 2006

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Estar onde nunca tinhamos estado, ir onde nunca nos tinhamos lembrado: é bom o sabor das coisas novas sobre o mofo de tanto passado guardado entre a cânfora. É bom voltar ao prazer indelével das coisas primeiras, das coisas feitas pela primeira vez. Para variar. Para viver.  É bom para mim, que estou tão irremediavelmente cansada de reviver; bom para mim, que estou profundamente entediada de sobreviver. É bom:… a novidade. É bom:… outra vez este gosto de vez primeira.  E mais não sei. O resto não sei.

Mulher | Causa da morte: anorexia

Novembro 18, 2006

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Foto: Keate

Carla Sobrado Casalle tinha 22 anos, 1, 74 m e apenas 55 kg.  Morreu na manhã de 5ª feira, vítima de duas paragens cardíacas, no Hospital da Beneficência Portuguesa, em Araraquara. Estudava moda na faculdade paulista Anhembi Morumbi. Ainda não era tão conhecida como a modelo Ana Carolina, falecida na passada 3ª feira, mas teve o mesmo fim que ela: a anorexia matou-as às duas. Com apenas 2 dias de intervalo.

Leio | ‘A Décima Segunda Noite’ – Luis Fernando Veríssimo

Novembro 18, 2006

16_mvb_verissimo01.jpgEm menos de uma semana, é a segunda ou terceira vez que aqui me refiro a Luis Fernando Veríssimo. Agora, por exemplo, é para dar conta de que acaba de ser publicado A Décima Segunda Noite, o último livro do autor , sob a chancela da Editora Objetiva.
A história passa-se num salão de cabeleireiro de parisiense e é contada por um papagaio verde e amarelo, que não é de Flaubert, mas (ao que parece) poderia muito bem ser. O autor define-o como «um narrador sem umbigo».

Alguns excertos AQUI