Archive for the 'Chatterbox' Category

Chatterbox | «A Vida Vira»

Dezembro 30, 2006

Secção | Querido Leitor

Ano passado, dia 31 de dezembro, saindo da praia, às 4 da tarde, inventei de fazer “um balanço” do ano, já naquela nostalgia do ano que estava indo embora, e perguntei a uma amiga o que de melhor tinha acontecido pra ela naquele ano. Como assim?, surtou minha amiga. O ano ainda nem acabou, e você já tá querendo que eu diga o que aconteceu de melhor? Pera lá… E por coincidência ou não, acredite se quiser, mal ela falou isso, na hora, passou pela frente, de bicicleta, um antigo namorado e aí, oi, oi, quanto tempo, que bom te ver por aqui, bem, e aí você já sabe… feliz ano novo, tin-tin!

Portanto, minha querida, fica a lição: o ano só acaba quando acaba, ou seja, tudo pode acontecer; de um minuto pra outro, a vida vira! De um minuto pra outro, você pode receber aquele telefonema que espera há um tempão, de um minuto pra outro, pode conhecer uma pessoa incrível, que vai se tornar a sua maior amiga, pode, pode receber uma super oferta de trabalho, pode realizar um sonho antigo… As coisas acontecem, assim, de um minuto pra outro, assim, muitas delas, sem qualquer explicação, precedentes etc. e tal. Surpresas boas acontecem; e o ano (ainda) não terminou!

Mete bronca que (ainda) dá tempo de fazer aquilo que você quer fazer e ainda não fez, de sair por aí, de variar a cor do cabelo, de passear pela rua descompromissadamente; ainda dá tempo de manifestar o seu amor a quem você quer bem, de passar uma tarde gostosa com a família, de comprar aquele vestido longo que você ainda não comprou, ainda dá tempo!

Ainda há tempo para mudar, tempo para fazer acontecer, tempo simplesmente de coisas es-pe-ta-cu-la-res acontecerem na sua vida. E se ainda assim ficar faltando alguma coisinha, sem problema, relaxe: o ano novo vem aí e a gente tira a diferença.

N. Rezende

recebido:  23:14 – 28 /12 /2006

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Chatterbox | Fly me to the moon!

Dezembro 27, 2006

Secção | Querido Leitor 

Durante os próximos dias é ver os amigos partir, num misto de mini-férias de Inverno e planos de Réveillon. Na impossibilidade de reter na memória as datas e horários de todos os vossos voos e escalas, opto por pendurar aqui na janela do blog um cartaz gigante: boa viagem, a todos!
Que a passagem de ano seja a perfeita alegoria de outras viagens em trânsito, das que anseavam por começo e das que ainda faltavam cumprir, e que 2007 chegue pleno de rumos, em direcção a um tempo de coisas novas e mais felizes!

Boa Viagem, a todos vocês e (por favor!) aproveitem cada instante de coração limpo de mágoas e ressentimentos: não há porque não confiar que 2007 seja um muito melhor ano – a memória do menos bom de 2006 tem que servir para alguma coisa, certo?!

Cuidem-se e regressem de sorriso renovado!

Ass: a autora do blog

Chatterbox | Feliz Natal!!

Dezembro 25, 2006

Secção | Querido Leitor

Grata e sensibilizada com todos os mimos e ternuras que me têm feito chegar.
Que este seja, então, um muito excelente Natal!

Fica o meu forte abraço a todos vós.

Ass: a autora do blog

Fora de Casa | Parece que, esta noite, há festa na aldeia!

Dezembro 2, 2006

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Esse convite está chovendo na minha mailbox. Não sei se vai ser possível, mas obrigada a todos os que tiveram a gentileza de o enviar!
Confesso que não conhecendo ninguém fico meio sem graça de aparecer, mas resolvi colocar aqui no blog para divulgar a iniciativa, ok?!

Desejo uma muito excelente festa a quem passar por lá!

Chatterbox | Animado de um endiabrado Matrix endemoniado!

Novembro 24, 2006

Secção | Querido Leitor 

Um problema grave no meu laptop. O cursor move-se sozinho e desata a fazer acentos agudos em todo o espaço em branco que apanha: documentos word, notepad, barra de url, dashboard do blog, na caixa dos comments dos blogs que sigo e aprecio, na dos que aqui mesmo alguns de vós vão tendo a delicadeza de deixar… tudo e em todo o lado! Fico parada a ver o monitor desenhar acentos agudos à velocidade da luz,  imparável (tipo Matrix!!), animado de uma vida que não sai dos meus dedos. Impossível escrever. Ninguém supõe a luta árdua que me valem estas linhas: uma tarefa de teimosa persistência e sistema nervoso à prova de bala, tão desconectado como este teclado. Tentarei remediar  o problema e regressar online o mais depressa que me for possível. Até lá, nem tão pouco posso vaguear pela net porque, como já expliquei, até na barra do Google e dos url, os acentos se escrevem sozinhos, baralhando a direcção, adulterando os endereços.
Saibam tão só que, cega e muda, estarei aqui, sim, a esgrimir no silêncio contra este estado ausente que agora me enlouquece.

Um muito excelente começo de semana, para todos!

Ass: a autora do blog

Citando de cor | Fundos sentidos que se pressentem

Novembro 13, 2006

A manhã principia envolta em nevoeiro. Depois tudo retorna à luz que clareia. E fico eu a pensar no imenso privilégio que é o reconhecimento entre iguais.

Com a devida vénia à Meg, do SubRosa, cujas palavras que me escreveu só li hoje cedo, e que foram assim como uma coisa muito boa de se ouvir. Grata, Meg!

aspas_azuis21.jpg Só que coração meu podia mais. O corpo não traslada, mas muito sabe, adivinha se não entende. Perto de muita água, tudo é feliz.
Guimarães Rosa

aspas_azuis21.jpg Pela hora do meio-dia, com a maré, A Ilha Desconhecida fez-se enfim ao mar, à procura de si mesma.
José Saramago

aspas_azuis21.jpg Entre mim e mim há vastidões bastantes para a navegação dos meus desejos afligidos.
Cecília Meireles

* um grato abraço amigo também aos blogs de Aldina Duarte e Aliki.

Chatterbox | ‘Complicadíssima Teia’

Novembro 12, 2006

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Secção | Mailbox 

Querido Leitor,

Fazendo fé que mais vale tarde que nunca, eis então o comentário à sugestão/provocação que me endereçou há algumas semanas atrás. Espero que sirva. Espero não errar o alvo. Espero não fugir da raia:

Linhas, laços, ligações. Que podem resgatar, recuperar, restituir, salvar a vida quando ela está por um fio. Labirintos, redes, malhas. Que podem misturar, confundir, baralhar, perder a vida quando ela está por um fio. 

Ass: a autora deste blog

Chatterbox | Radiografia cardíaco-mental

Novembro 11, 2006

Secção | Mailbox

«Parece-me este um bom pensamento para terminar a semana! Desejo-vos um excelente fim de semana!

QUASE
por Luís Fernando Veríssimo
   
  Ainda pior que a convicção do não, a incerteza do talvez é a desilusão de um “quase”. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou.
  Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania  de viver no Outono. 
  Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor, não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos “Bom dia”, quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz.
  A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são.
  Se a virtude estivesse mesmo no meio-termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.
  Não é que a fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance,  para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência,  porém,  preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.
  Para os erros há perdão; para os fracassos, chance; para os amores impossíveis,  tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. 
  Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu! 
  Para os erros há perdão; para os fracassos, chance; para os amores impossíveis,  tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.
  Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu!»

recebido:  15:44 – 10 /11 /2006

Permito-me prolongar a citação iniciada por Inspectora Promissora. No original, o texto – ainda e sempre de acordo com Mestre Veríssimo – segue, concluindo assim:

Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma.

Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance.

Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.

Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu

Sem mais comentários, por favor! Notável a lucidez de Mestre Veríssimo para dizer com tamanha simplicidade aquilo que, em si mesmo, já é tão infinitamente simples!…  Tão, tão simples. Como um bisturi de cirurgião apontado ao coração, esse músculo escondido. Como uma radiografia mental a tornar translúcida a teia do pensamento, os labirintos da mente e os seus mecanismos reflexos, os seus meandros, o seu modo ocluso de proceder e operar. Tudo ali, tudo assim, tudo a nú, tudo posto a nú. Que é para se perceber que afinal as coisas eram grau zero de dificuldade: simples, tão infinitamente simples, aquilo que afinal só se adensa pela teimosa complicação de um modo de ver cego, de um olhar exdrúxulo.  

Chatterbox | «Amanhã é sempre longe demais!»

Novembro 3, 2006

Secção | Mailbox

Querido Leitor, 

Não são grandes os meus predicados, asseguro-lhe. Se tiver perdido algum tempo neste blog, já terá certamente reparado de que padeço de um irreparável defeito cósmico: sou de leão e, portanto,  os defeitos abundam mais que as virtudes. Em todo o caso, esclareço que não há grande segredo para esta coisa de «ter um prazer imenso em viver» (para usar a sua expressão),  nem tão pouco de «ser sempre invejavelmente feliz enquanto existe». Acredite-me: por detrás dessa constactação de facto (que é a sua , convém relembrar!), talvez não estejam atributos de tão meritória excelência assim. Acontece simplesmente que deixei-me de querer convencer a vida: ela que me convença, se for capaz ou estiver para isso, já que tem sempre argumentos mais fortes do que qualquer um de nós, simples e comuns mortais. Enquanto isso prossigo com a minha vida ou, como muito bem diz, «existindo». Não se espere pois que desista de viver para ficar à espera do resultado (ou não) do esforço empregue para a convencer ( a vida, claro está!), coisa que, aliás, lhe reconheci de avanço que já me deixei de fazer.
É como lhe digo, Querido Leitor, a vida que se moa e torture com esse dilema e se acaso se decidir por me convencer, que o faça de forma eficaz, porque nestas coisas da crença, não chega ter bons argumentos ou simplesmente ter jeito para a persuasão. Há que conseguir ser também convincente, acima de tudo convincente, eu diria.

E, posto isto, talvez o Querido Leitor compreeenda com mais facilidade porque razão escrevo: é porque não posso de modo algum deixá-lo incorrer nesse olhar magnânime e generoso que me lança, sob pena de pecar pela mais “umbiguista” e inqualificável das omissão. É certo que sou de leão, mas nem tanto ao mar, nem tanto à terra! Felizmente não me cairam sobre os ombros todos os defeitos do zodíaco. Gosto do meu ego tal como está: um pouquinho de ferrugem aqui, um bocadito de verdete acolá, três ou quatro grãos de poeira por limpar, um recanto mais baço de onde em onde, mas parece-me aceitável no conjunto. Dispenso grande brilho e parece-me desnecessária a melindrosa tarefa de lhe puxar mais lustro.

Bem vê, Querido Leitor, é que eu tenho apenas para mim que o desencanto e o desprazer são como que a parte mais fácil da taluda, uma espécie de lotaria que, de acordo com o calculo de probabilidades e a constância crónica da sua própria sucessão matemática, já nos saiu mesmo antes de ser anunciada. Se quer que lhe seja completamente sincera, Querido Leitor, suspeito que perante esta composição congénita e estruturante da realidade universal a surpresa é coisa rara, senão mesmo impossível. Assim sendo,  limito-me a conservar a hipótese dessa ínfima percentagem de erro indispensável, como sabe, a qualquer verdade científica. Depois de Karl Popper, nenhum de nós pode ter a pretensão de incorrer na tentação de inviezar a percepção e dizer depois que se tratou de um equívoco teórico.  Estamos todos advertidos: todos. Neste capítulo, considero portanto que já basta a minha disponibilidade para me deixar surpreender, mesmo não fazendo nenhuma fé na supresa. E se acontecer… olhe, muito me surprenderá, Querido Leitor! A surpresa, bem entendido:  a surpresa. Mas até lá, não creio. Não creio e não espero, Querido Leitor. Não espero para viver. Não, Querido Leitor, já me deixei disso! Por conseguinte, já não comprometo nada, nem empenho coisa alguma, assim como também já não desperdiço, não desisto, não troco, não deito nada fora. Não na espera dessa tal possibilidade ínfima de me poder surpreender.  Sei lá eu se vem ou não!… o que sei é que, surpresas à parte, o que tenho me dá felicidade suficiente para gostar por demais de continuar a viver!

E pergunta-me a rematar: «Não a angustia que algo mais a procure depois da hora?» Ora, eu já lhe respondi, Querido Leitor!… Quer mesmo que repita?! Muito bem: já me deixei disso, eu tinha-o avisado. Que posso eu fazer se a vida tiver a surpresa de não vir a tempo de me poder surpreender?! Nada! Absolutamente nada. Tanto pior para ela, para a vida(claro está, mais uma vez) . Por muito que queira, eis uma coisa contra a qual nada posso: viver já sem vida o que a vida trouxe quando já não havia vida. Seja qual for a razão do atraso, contra a grandeza irreversível do tempo nada posso, ninguém pode. Está condenado, tudo o que vem depois da hora. Ainda assim (e novamente) não creio que haja sentido em me angustiar. Terei vivido, senão a surpresa tardia, outra qualquer coisa em seu lugar, outra qualquer coisa chegada em sua vez, enquanto se demorava e retardava. Quanto há vida, não sei, não me pergunte. Imagino que lhe reste um desconsolo de que, pelo menos, fui poupada –  afinal será ela (a vida, certo?!) que ficará a braços com o vazio, com a ausência de alguém que possa viver a surpresa que enfim lá se tinha convencido a preparar.

Lamento, Querido Leitor, não poder ser mais conclusiva a partir daqui. Sugiro que pergunte à vida, pois entramos num terreno que só lhe diz respeito a ela e sobre o qual, por maioria de razão, só ela pode responder. Tente, se quiser. Tenho as minhas dúvidas e reservas e, mesmo que quisesse ajudá-lo, parece que a vida ainda não criou um blog e não consta que tenha por hábito responder a e-mails.

Fica Um Abraço Meu!

Ass: a autora deste blog

Que nos falte tudo, menos o dinheiro para a conta dos telefones!

Outubro 24, 2006

phonecall.jpgHilariante serão em interminável telefonema com Ally McBeal. E isto estando ela tristinha e de coração estraçalhado… que faria se não estivesse! Desligo para a deixar jantar porque é quase meia-noite e não tarda cai para o lado de tanta fome. Desligo a rir. Desligo e continuo a rir.  E então ocorre-me que quem tem uma Ally McBeal assim, na vida, passa bem sem precisar de mais ninguém. Maravilhosamente bem, diga-se de passagem! Aconteceu comigo esta noite, garanto. Um beijo e uma noite feliz, Ally McBeal, que bem mereces e tens-me sempre a mim, que gosto muito de ti.

‘Vá para fora cá dentro’

Outubro 22, 2006

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Secção | Voicemail

«Após o ‘bip’, por favor deixe a sua mensagem. Retornaremos ao contacto, logo que for possível. Obrigado!» 

O mundo que nos desculpe, mas ainda temos mil coisas para fazer dentro de casa, mil coisas para contar, mil coisas para conversar, mil tudo. O Domingo vai, portanto, ser assim: sem por o nariz fora de casa, a ouvir a tempestade despencar lá fora, com a ventania a virar o jardim pelo avesso e a chuva a cair em bátegas fartas pelo telhado e os algeirozes.

Até Segunda-feira!

Sinto sua falta, mas não sei lhe dizer / se vou lhe querer se você voltar

Outubro 16, 2006

belucci.jpg
Foto: Monica Bellucci

aspas_azuis210.jpg  rumo pr’ os teus pés
colo pr’ os teus ais
dedo pr’ os anéis
paz nos temporais
e uma vida inteira
pra te convencer a me levar
Lenine –  “Se Acontecer”

Citando de cor | Por um tempo de ‘assentamento’

Outubro 16, 2006

aspas_azuis29.jpg  Todos os elementos ao alcance do braço. 
Todas as frutas
e consentimentos.

Carlos Drumond“Idade Madura”

Leio | ‘O Poder dos Sonhos’ – Luis Sepúlveda

Outubro 6, 2006

poderdossonhos.jpg

Por todo o lado encontrei magníficos sonhadores, homens e mulheres que porfiadamente acreditam nos seus sonhos. Mantêm-nos, cultivam-nos, multiplicam-nos. Eu, humildemente, à minha maneira, também fiz o mesmo.

Sonhamos que é possível outro mundo e tornaremos realidade esse outro mundo possível.

Luis SepúlvedaO Poder dos Sonhos

Belíssimo o alinhavo que urde em coerências fundas memórias de companheirismo, durante os anos em que o Chile era o tempo de Salvador Allende, denúncias do estado de inquietação da Pátria, do Mundo e das suas gentes, críticas e indignações de quem mantém acesa a chama do humanismo, pensamentos e reflexões que brotam do empenhamento activo nas causas que deviam ser de todos.

Olho o céu pária que a bruma inesperada veio dissolver rente à linha do horizonte, reclino um pouco mais a cadeira enterrada no areal e prossigo a leitura. Como se fosse um rebuçado, a deixar-me este gosto de conforto por detrás da língua. Sim, não estamos sós. Sim, mesmo que nem sempre pareça, ainda restam muitos iguais a nós.

Recordo o telegrama que chegou à minha secretária, dois dias antes de viajar:

Secção | Telegrama

«O escritor chileno Luis Sepúlveda estará em Portugal de 12 a 18 de Outubro para promover o seu novo livro, O Poder dos Sonhos»

recebido:  01/10/ 2006

Aguardo serena a oportunidade do reencontro. Sempre. Uma vez mais. Como diria Grande Loba: «o que é do homem, o bicho não come!» e como remataria Divina Grega, «tudo o que é para ser vem em tempo».

Tu: ‘My Immortal’

Outubro 3, 2006


Foto: Ferr@Fog@Faíc@

Secção | SMS 

Se eu pudesse e tu soubesses obedecer, ordenava-te que te desviasses de uma vez e para sempre da rota de todos os perigos e sobressaltos. Mas depois tu já não serias tu e acontece que já não concebo os dias sem ti. Portanto, Senhora, faz-me o único favor possível: navega, sim, mas não voes.

enviado:  23:32 – 02/10/2006

p.s. – Apenas para avisar que Grande Loba se comunicou. Nenhuma razão para aflições. O meu carinho grato a todas as Meninas, pelo zelo, pela preocupação. Grata!