«… you see?»

Dezembro 10, 2006

paradani.jpg

 Faz tempo (anos!…) que sigo o trabalho de minha amiga Dani, o report na web a compensar-nos os hiatos incontornáveis que a distância impõe sobre tanta água atlântica que nos fica de permeio.  

Nos últimos dias, tenho reparado em consonâncias estécticas que talvez sejam muito mais do que isso, na verdade. Porque da mesma forma que o que diverge acaba se distanciando e excluindo lentamente dos dias, pela soma de opostos e não-coincidências partilhadas, estou cada vez mais convicta que as afinidades se tocam e atraem.

Nesses últimos dias, ricos de afazeres e outros prazenteiros entreténs, já falei que, por ocorrências múltiplas, regressei a Lewis Carroll e ao seu mirabolante e genialíssimo tratado dessa arte de bem ensinar a crescer humano e pequeno, que dá pelo nome encantado de Alice no País das Maravilhas.  
Nem de propósito, um pouco antes de me sentar e redigir esse post, calha que o livro tomba da secretária, calha que cai aberto numa página à toa, calha que o pego do chão e que – no trajecto da mão para o erguer – os olhos batem e param justamente neste pedaço, que fala assim:

aspas_azuis2.jpg  Alice: Aqui parecem todos malucos.
Gato: É verdade, eu também sou maluco…Completamente maluco.
Alice: Eu não.
Gato: Claro que és. Se não fosses maluca não estavas aqui.

E é como ela diz em esfumada epígrafe, sim, logo à entrada, logo de avanço, como quem já vai estendendo a toalha de linho branco sobre a mesa que serve de tapete ao chá:

«We’re all mad here. I’m mad. You’re mad.»

E é por isso que, no retempero das forças, prestes a iniciar mais um plantão num Domingo lindo de Dezembro, cheio de sol e céu azul, eu atravesso o chão atlântico e me sento só mais um pouquinho à  mesa.

E, então, ela puxa de outra chícara e tem a delicadeza de pousar o dedo sobre os lábios, como quem recomenda silêncio aos que me vierem ler. E eu confesso que deixo pingar mais dois torrões de açúcar nesse chá e que qualquer coisa em mim derrete quando a escuto chamar-me, assim, de «linda bebedora de chá portuguesa».

Que seja uma tarde MA-RA-VI-LHO-SA para todos: para os que vão trabalhar e para os que também não!

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