Eu queria ser, ainda, como as mulheres da Nazaré!

Dezembro 1, 2006

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Ás vezes, de um momento para o outro, tudo fica estranhamente muito prático e muito rápido. E eu acho que sim, para quê complicar?! O meu único problema é poder dizer depois que consigo manter-me no lugar do encantamento, porque ele se dissipa no mesmo instante, à exacta proporção da velocidade a que o estado de espírito muda, com a mesma facilidade com que subitamente tudo resvala e se torna já só isso que tem que ser: muito prático, muito rápido, muito fácil – demasiado fácil, demasiado simples. Porque a mim ensinaram-me que o que tem sentido é acenar a saudade na praia, olhando a escuna fazer-se ao largo. Porque a mim mostraram-me que o que faz sentido é um vulto hirto na ré, de olhos fixos na areia, à medida que a proa avança, afocinhando nas ondas, rumo ao mar alto e a  portos mais ao fundo, derradeiro sinal de quem parte a sonhar com a volta, de quem não deixa de partir, sim, mas que é só desejo de poder ficar, que é quanto basta, afinal. Quanto basta para que nenhuma distância salgue a cama de limos e algas que fica em terra, entregue aos vazios da maré baixa.

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