O fado dela

Novembro 23, 2006

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Foto: Reinaldo Rodrigues

Aldina Duarte“Sonho Lento”
Para escutar AQUI

Teimas em forçar a intromissão e vens, inconsciente, lembrar-me um colo emprestado que só me magoou os ossos, sem que eu perceba como é possível tu achares que possa achar bela a memória de mais uma noite arruinada. Mas tu segues teimando, que teimar é o dom maior de que te orgulhas, e vens evocar-me uma noite que, para teu bem, melhor fora me deixasses esquecer.  Traço o xaile e desço o que resta à rua. Já nem te contrario o devaneio de te ver assim, a insistir em te fazeres presente nos lugares onde já não estás. Deixo-te, pois, como gostas e preferes:… a errar com toda a alma / a fingir que a dor se calma / cada dia mais sozinha… enquanto eu sigo descendo a rua aconchegada no meu xaile bem traçado.

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3 Respostas to “O fado dela”

  1. Marina Says:

    Não sei se escreves coisas que vives e sentes ou se é como diz Fernando Pessoa – o poeta é um fingidor. Seja como for acho o teu blog lindo!!!
    Gosto de vir aqui todos os dias porque és humana – choras, ris, sofres, exaltas, tens momentos de desilusão (nessas alturas é que gostava de te conhecer na vida real e te dizer que és especial de mais e que quem te magoa não te merece). É sempre um prazer ler o que escreves. Ajuda a acreditar que há pessoas diferentes e fora do comum por aí, que não é só nos filmes e na televisão.
    Talvez me sinta um bocado voyeur porque a tua vida ou aquilo que transparece dela me fascina e hoje quando vim aqui achei que tinha que te dizer isto.

    Um beijinho e obrigada pelo blog!

  2. Marina Says:

    Esqueci-me de acrescentar que nunca gostei muito de fado mas que estou a aprender a gostar aqui no teu blog. Tenho lido as letras e ouvido as músicas e acho que estou a ficar fã!
    Obrigada por isso também!!!

  3. V. Says:

    Passo pra ver ” o que fizeste, sultão, de minha alegre menina”… Sossegue seu coração,Bela!
    Siga descendo a rua, Criança. Siga sem medo do que perdido fica. Você sabe,você pode ver, esteve lá: sempre, no caminho, o rio se abre em dois braços. Você pode sentir,você sabe: siga descendo a rua e tome o caminho das águas, como muito bem sabe. Terás todo o amparo e protecção onde sempre o rio te abrirá os braços. Menina-guerreira a dor é sabedoria para os valentes, nunca angustia e perdição. Saiba que mesmo de “ossos magoados” o manto cai eternamente soberano sobre seus ombros de princesa ibérica por terras gentias.
    Baccio,Bela


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