Script #26 | Dedicatória

Novembro 2, 2006

Mariza“Cavaleiro Monge”
(Letra: Fernando pessoa / Música: Mário Pacheco)

Vens-me sem aviso, densa e nítida, pelo escuro – no escuro do fado, meu fado escuro – a rasgar um sulco fino, um arrepio fundo. Vens-me do outro lado do mundo, agarrada a crinas d’ água pelo teu caminho das pedras, desfraldada e em desalinho, livre e bruta como um vento sem dono, como és e te amei um dia, antes de agora: tronco da mesma raiz.  E é tua a minha primeira lágrima. Tua ainda, a minha única lágrima desta noite. Aqui. Do outro lado do mundo. Agora. Eu. E só não sei se choro por ti, que prossegues longe e só, se por mim por ser pequena, tão pequena ainda afinal!… Tão pequena e presa ao que de maior me prende aquém de ti, de ti,  Senhora dos Bravios e Agrestes Galopes, meu Cavalo de Sombra, que “caminhais liberta / caminhais em mim”.

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