Script #25 | «Promise me… and I will be home soon!»

Outubro 20, 2006

promiseme.jpg

aspas_azuis214.jpg  When I go away I’ll miss you
and I will be thinking of you
every night and day just …

Promise me you’ll wait for me
’cause I’ll be saving all my love for you
and I will be home soon

play_343.gif  Bervely Craven – “Promise me”  nota_animada3.gif

Vou aqui, em silêncio e sem sombra de sono, incrivelmente desperta, a escutar a emissão da rádio – perfeitas como sempre, as ondas hertzianas!  Ás vezes, olho em frente e vejo a tua nuca hirta, imóvel e orgulhosa, que nunca se volta para trás, não sei se no firme propósito de nos conduzir sãs e salvas ao fim da viagem, ou se simplesmente na obstinação de continuar a fazer de conta que não existo. Não digo nada. Falta-me a paciência para te contrariar. Deve ser da chuva e da tempestade. Deve ser do cansaço, a somar-se à noite e ao breu da estrada. Deve ser a música e a emissão da rádio: exímia e redonda, certeira e inequívoca. Deixo assim. Deixo como está sem querer saber como é que fica. Dá-me a mim também mais tempo e mais espaço para me dedicar em segredo ao que me apetece, e o que me apetece é o que me dá prazer, o que me enleva, acalma e pacifica. O que me apetece é pensar nela e não em ti. E é então que vêm os primeiros assomos dos acordes do piano e eu dou comigo a pensar que não podia haver trilha sonora mais perfeita para o momento!… Um hábito antigo que me vem desta inviolável convicção no poder mágico da rádio para nos ler a alma e se por a tocar de feicção: como se pensasse em nós e nos pudesse ver… como se soubesse tudo o que nos vai por dentro! Como agora…!

E então ocorre-me que, antigamente, esta sensação me costumava acontecer contigo ou sempre por tua causa. A tempestade a varrer a estrada e os vidros do carro com os seus chicotes de água… a tua nuca indiferente, que nunca se volta, nunca me procura no banco de trás, como se nem desse por que eu existo… como se estivesse certa e, na realidade,  eu não existisse de facto… e o poderoso efeito evocador da rádio, o piano, os acordes por onde o amor se canta, puro de tão nú, corajoso de tão franco… fiável… firme… incondicional e, por isso, quase sublime de tão belo.

E não sei se sinto alguma pena por a canção já não me guiar a ti, como outrora. Só sei que não consigo sentir remorsos por a evocar a ela em vez de ti, a ela em teu lugar, a ela no lugar que sempre foi só teu.
Sim, Querida, creio que alguma coisa nos correu mal.
Só pode ter sido isso: definitivamente, alguma coisa nos correu tremendamente mal. E ainda nos continua a correr. Como é bom de ver. Não há por onde negar.

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