Script #18 | ‘Recuerdos’ e ‘Souvenirs’

Setembro 27, 2006

Sabes que não sou de trazer “recuerdos”, nem “souvenirs” para ninguém dos lugares por onde viajo, mas confesso que estive quase, quase a trazer-te a almofada. Porque bati os olhos na loja e me pareceu a tua cara. Perfeita para ti. Imaginei-te a deitar a cabeça sobre ela e agradou-me a ideia de te saber a repousar as ideias, o cérebro e o raciocínio sobre uma superfície não hostil, uma espécie de colo mais fofo, menos incómodo e amplamente compreensivo. Agradou-me a ideia de te possibilitar, apesar de toda a minha mais absoluta impossibilidade, deitar a cabeça num lugar que te reconhecesse e em que te reconhecesses. Sem te contrariar. Em absoluta harmonia contigo. Totalmente complacente, consentâneo, concordante e harmónico. Agradou-me imaginar que continuarias a dormir, mas desta vez com uma legenda a espreitar-te debaixo da face, uma assinatura a aparecer sob o queixo, um letreiro que te dissesse com toda a clareza, para que nem em sonhos, nem durante o sono, alguém se voltasse a enganar a teu respeito. Imagino que dormirias em paz. Gostava de acreditar que pudesses ao menos dormir com outra paz. Acontece que depois pensei melhor: de que te valeria ter a almofada, se te levei a cama embora de vez? 

Desisti. Saí da loja, continuei a namorar e fui gastar dinheiro em prendas que valessem a pena. 

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