Script #12 | Este favor que, sem saberes, te obrigo a fazer-me antes de me perder de ti

Agosto 8, 2006

aspas_azuis29.jpg  Eu escrevo e assim me livro de mim e posso então descansar   

Clarisse Lispector

Recebes palavras que nunca mais voltarás a saber como se pronunciam. Guardas palavras que nunca serás capaz de ler para além das sílabas e da gramática. Levas, em suma contigo, um talismã inútil, um pérola estrelina que, em verdade, nunca mais te servirá para nada. E eu vejo-te afastar de algibeira gorda e encolho os ombros, nesta displiscência que me ficou de andar há tantos meses com as veias a baloiçar entre a vingança e a indiferença. Encolho os ombros e sinto por ti um pesar igual ao que merecem todos os que andam por aí a recolher com sofreguidão presentes envenenados. Pobre de ti, que do alto da tua ganância jamais poderás supor que te afastas levando contigo, coisas tuas de que tanto anseio por me livrar! Para enfim descansar. Para só então descansar.

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2 Respostas to “Script #12 | Este favor que, sem saberes, te obrigo a fazer-me antes de me perder de ti”

  1. juliane Says:

    gostaria de saber o script do livro de jose luis do rego FOGO MORTO”


  2. Juliane, desculpe mas não entendo o seu pedido. O quê exactamente você gostaria? E porquê me perguntar isso a mim, aqui e agora? Me explique direitinho. quem sabe eu possa te ajudar….!


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