Notícia | Política de Imigração faz tombar Governo holandês

Julho 2, 2006

O primeiro-ministro holandês Jan Peter Balkenende formalizou o seu pedido de demissão à Rainha Beatriz, na sequência de uma série de acontecimentos conturbados, no âmbito de questões afectas à imigração.

A crise política, que culminou na queda do Governo, teve início no caso de Ayaan Hirsi Ali, deputada de origem somali a quem, em Maio, o Governo tentou retirar a cidadania holandesa. O Parlamento apoiou maioritariamente Hirsi Ali, o executivo ainda tentou recuar, mas a deputada preferiu emigrar para os Estados Unidos, deixando a Holanda a braços com a suspeita diplomaticamente desconcertante de lhe mover uma perseguição política. Medidas como a decisão de expulsar, até 2007, 26 mil refugiados, de proibir o uso da burka em público e de enviar, para o respectivo país, os homossexuais iranianos, que correm risco de vida se forem expatriados, tornaram-se fracturantes na sociedade e debilitaram a imagem internacional do país.

A radicalização da política do Governo, por muitos acusada de populista, surge num contexto de crescente conflito, numa Holanda que se confronta com uma forte corrente de imigração oriunda de países islâmicos e com o problema da integração da comunidade muçulmana numa sociedade de tradição liberal. Calcula-se que, actualmente, haja um milhão de muçulmanos neste país de 16,5 milhões de habitantes.

Nos últimos quatro anos, além do caso Hirsi Ali, mais dois crimes relacionados com violência racial atingiram grande dimensão mediática e chocaram o país: os assassinatos do político Pym Fortuyn e do cineasta Theo Van Gogh. O primeiro crime foi atribuído a um desequilibrado, defensor dos direitos dos animais. Theo Van Gogh foi morto por jovens islamitas, por ter realizado um filme sobre a submissão das mulheres muçulmanas. Curiosamente, o argumento era assinado por Hirsi Ali.

Cf. artigo publicado hoje no Diário de Notícias.
 

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2 Respostas to “Notícia | Política de Imigração faz tombar Governo holandês”

  1. Carlos José Teixeira Says:

    … curiosamente é a mesma ex-deputada que contraria os desejos de islâmicos em nacionalizarem-se… porque o seu discurso (dos islâmicos) é “anti-integração”.
    curiosamente esta ex-deputada realmente mentiu em relação ao seu título de refugiada.
    ainda mais curiosamente, a ex-deputada somali vai agora para os EUA trabalhar numa organização conotada com a direita americana… com emprego garantido…

  2. anamc Says:

    É verdade, sim! Esperava-se, todavia, que o governo soubesse gerir o bom senso, ao invés de se enrolar por arrasto neste embróglio de… “curiosidades”.


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