((Editora Oficina do Livro, colecção Estrela Polar, 264 páginas, 12 Euros)
Há alguns dias, não me recordo ao certo quantos, Bem Com Deus e o Diabo passou pela minha mesa com este livro. Deixou-o lá e eu também. Limitei-me a colocá-lo num lugar onde não me incomodasse o cotovelo. Não me lembrava de o ter trazido para casa. Deve ter vindo de arresto, numa daquelas vezes em que pego numa braçada de materiais ao acaso, quando as pilhas que vou acumulando na redacção me começam a pesar na consciência das minhas impossibilidades diárias de dilatar o tempo a um suplemento de horas e minutos que não consente. Dei com ele há pouco. Deve ter sido porque o céu amanheceu turqueza e os azuis da capa me souberam bem ao olho, ali pousados contra o branco-crú do sofá, equilibrados numa ponta, debaixo dos raios de sol que entravam pela janela que dá para o rio. Peguei nele. Li, enfim, a contracapa. Depois as “orelhas” e um ou outro parágrafo desgarrado, em páginas abertas ao acaso. E então fui à net e descobri que Masaru Emoto mantém, desde 25 de Agosto de 2003, um delicioso diário online, onde mistura palestras e investigações científicas com os pequenos acontecimentos do seu banal quotidiano que o fazem, afinal, tão mortal quanto eu. Enterneceu-me. E, então, ganhei balanço e segui mais um ou outro link. Cheguei aqui: The World of Water. E depois concluí que a manhã valeu a pena, que o dia talvez prometa um azul mais inspirado e que, bem vistas as coisas, Bem Com Deus e o Diabo até nem esteve mal de todo naquele dia, que já não me lembro ao certo há quanto tempo foi.