Desperdícios de solistício

Junho 23, 2006

Hoje sim! Hoje está um dia de calor esplendoroso. Até que enfim! E eu estou de folga da redacção: dia de dolce fare niente. Talvez por isso, logo após, assalta-me a perturbação: tá que será que esse será mais um Verão de chove mas não molha, de chover sem molhar, sem nem chover mas já molhando? Red Bull eclipsou-se. Deve ter amuado, já conheço o estilo. Eu juro que ando absolutamente concentrada na necessidade de redobrar a paciência, em respeito à fase que atravessa, mas paciência tem limites! Na outra noite era impossível não colocar travão ao desbunde: parecia saco de porrada!… O que é isso?! Eta!…  Se eu permitir, Red Bull faz o gosto ao dedo, que é como quem diz, desbronca, explode, desabafa, faz o que lhe der na veneta, tudo porque acha que o facto de estar a passar por problemas gravíssimos lhe dá salvo-conduto para tudo e mais alguma coisa! Sinto muito. No meu entendimento não dá. Esse direito não lhe assiste. Desde quando o facto de se andar, nervoso, triste, stressado, preocupado e sem cabeça dá legitimidade para sair agredindo a torto e a direito?! Quero mais é que Red Bull não volte a aproximar-se enquanto não tiver interiorizado a ideia.

Ontem, em conversa com Secretário-Geral, estava justamente a conversar sobre isso. Encontramo-nos online porque ontem resolvi entrar no MSN (vejam bem!… Aleluia!). Não conversávamos desde a noite do revéillon, eu acho?! Secretário-Geral fez eco das mesmas perplexidades que eu: também anda preocupado por tanto descontrolo de Red Bull. Acha que deve procurar um médico ou chamou de “brutidade” e fez questão de me fazer saber que entende que para mim seja ainda mais difícil lidar com o filme: «Ao menos eu não tenho que dormir na mesma cama!», exclamou. Precisamente!

Na sequência desse papo com o Secretário-Geral, imagino que por esta hora Red Bull já saiba da minha disposição, se acaso tivesse dúvidas sobre o que eu própria tratei de lhe dizer, na noite em que a despachei e não estive para lhe aturar a falta de consideração e as grosserias. Talvez enquanto conversássemos, Secretário-Geral tivesse avisado em tempo real que estava batendo papo comigo. Red Bull deve ter ficado uma fera: não perdoa que ter sido banida do meu MSN e muito menos o facto de eu não ter corrido a agregar, na hora que reapareceu. Pois que se dane! É isso aí. E quer saber?! Pode ficar ao largo porque eu dispenso que venha só para encher o meu saco e descarregar todas as arrelias que anda a acumular na vida, nessa parte da vida onde, como sempre eu não tenho parte. Se não tem nada a ver comigo, pois que vá procurar quem tem para despejar o mau humor!…. Idiota!

E nem bem a propósito, hoje amanhece esse dia de Junho com um Sol esplendoroso (como já falei!) e eu de folga. Por falar nisso, o solistício foi há dois dias, calhava bem na noite em que Red Bull decidiu agir como se fosse mais poderosa do que é, bem, poderosa, ela pode até ser!… Somente não tem os poderes que imagina ter – poderosa sem plenos poderes, pronto! –  porque desta vez estava demasiado escaldada e resolvi não lhos dar. Decisão acertadíssima, como se vem vindo a provar desde a mal fadada noite do show da Sangalo no Rock in Rio!… Mas como eu ia narrandando, se Red Bull não soube aproveitar a magia de lhe ser dada a possibilidade de estar com alguém com quem é feliz na noite mágica do solistício, eu, por meu lado, entendi que não deveria mais uma vez perder um momento daqueles só porque ela decidiu estragar tudo. Na verdade, entre a gente, muitas coisas profundas vêm mudando, se houver atenção e sensibilidade suficiente para perceber. E se Red Bull não tem e não vê, eu as distingo claramente. É certo que nem sempre é na hora, mas minutos depois a ficha cai e eu dou conta.

Por exemplo, nesse episódio a que me refiro: Red Bull queima o momento. E eu? o que é que eu sinto? O que é que eu penso? O que é que eu faço? Pois bem, resolvo que lá porque ela desbaratou a oportunidade de o meu desejo de ser feliz se concretizar junto dela, não tem porque conseguir ir mais longe na maldade e acabar com o próprio desejo em si. Isto é, interiorizo em fracção de segundos: ok, mudança de planos, já vi que não dá para ser feliz ao pé dela, hoje, porque não está para aí virada! Deixá-la estar! Vou virar-me para onde a minha vontade de felicidade desta noite encontre campo para se espraiar, sem ter que andar a bulha e a implorar para que me deixe ao menos realizar esta necessidade, nem que seja um bocadinho, nem que seja por uns minutinhos, nem que seja contentando-me por acabarem por se concretizar, mesmo ficando demasiado aquém do que precisava!…  E o engraçado é que não preciso fazer nenhum esforço para logo me ocorrerem formas de o fazer. Aqui há uns meses, isto era impensável. Só o simples facto de Red Bull derramar óleo na minha felicidade, me deixava tão triste e arrasada que nunca mais me lembrava dela!… Da felicidade, eu. Claro. De Red Bull lembrava-me eu, sim. E nessas alturas então, era aquilo que mais se fazia presente no meu espírito. Como se tudo desaparecesse e só ficasse Red Bull. Ainda que pelos piores motivos, é certo. Mas eclipsava-se tudo. A felicidade e o desejo de ser feliz, aliás, eram logo as primeiras realidades a irem à vida!… Agora, não. É o inverso: Red Bull vai de imediato à vida e o que fica a tomar conta de mim por completo (e ainda mais) e o extraordinário anseio por tudo o que me faça feliz. Indiferente se é com ou sem Red Bull. Indiferente se já não passa por aí!…

Agora alinhavando as pontas a tantos raciocínios, para rematar o nó e poder cortar a linha para me ir arranjar e sair de casa: o que muda é eu já não ficar paralisada a lamentar mais uma decepção. É encolher os ombros e passar à frente sem sentir grande mossa pelas expectativas vãs. Dito de outro modo, ao invés de entrar em parafuso com o episódio e me por a penar pela consciência de que vem aí mais outro Verão e que, pelo andar da carruagem, Red Bull vai dar-me outra vez um tempo triste e inútil, de total desaproveitamento dos dias longos, das noites quentes, da pele mais morena, o corpo mais saudável, a alma e o coração mais predispostos e inspirados… Red Bull prepara-se para me dar mais um Verão de merda como o dos últimos anos, na sua amantíssima companhia, mas, ao contrário, daquilo a que (espantosamente!) me habituei, dou comigo a meter de imediato na cabeça que o melhor é nem queimar o cérebro e as coronárias com o previsível e tratar mas é de fazer com que este ano o solistício, os meses de Verão e tudo o mais, não caiam em saco routo, que é para não os desperdiçar estupidamnente e não chegar ao Outono de rastos, a chorar pelo que não veio e a não saber onde vou arranjar forças e estimulo para o Inverno que ainda está para vir!

Há tanta gente com quem me é tão fácil sentir bem e junto de quem a felicidade não tem espinhas: é natural, e sem truques, nem esforços, nem negociações, nem malabarismos, como afinal deve ser, não é assim?! É que a mim sempre me tinham dito que era!… E o pior é que nunca tive razões para duvidar e continuo, portanto, a acreditar genuinamente que sim, que é.

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