Ás vezes basta um instante, basta um enlace pela cintura, um arrepio corrido à pele, um brilhozinho nos olhos, um sono mais feliz, um céu mais azul, um coração a bater mais descompassado, um pouco que é muito, um nada que é tudo. Ás vezes basta um detalhe, uma diferença ínfima, uma súbtil alteração na normal percepção das coisas percebidas de sempre. Ás vezes basta ser uma vez, basta uma vez mais á frente no tempo, num tempo outro, distinto do mesmo, distinto do que foi sem nunca ter sequer chegado a ter sido. E, por cima da inusitada surpresa, sobrevém tão só a inquestionável evidência das coisas claras e simples. Claras porque simples ou simples porque claras, eu não sei. Mas sabe-o o Fado, que é o que importa. Sabe-o antes e primeiro que todos. Como sabe sempre todas as coisas que há para saber. Como se nunca ninguém lhe pudesse contar nada que já não saiba, – a ele, ao Fado – sabedor que é de todos os segredos e sentires que podem em vida passar pela cabeça dos corações mais excêntricos e improváveis.
Camané – “Ela tinha uma amiga” 




Julho 25, 2007 às 7:50 pm
AdoOreiii!!!
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